"Os acasos acontecem em estranhas coincidências. Eles nos acenam. E nós já sabemos do que se trata: uma nova compreensão de coisas que no fundo sempre existiram em nós..." Fayga Ostrower
Comentários e sugestão de leitura do texto “A arte: Formas e Função” (TP1 – p. 75)
Tivemos a presença da professora de Artes Visuais e Artes Plásticas, Nara Locatelli. A professora, antes de dar início ao trabalho prático, comentou sobre a importância da pintura. Segundo ela, a pintura está presente em todos os lugares e, no nosso caso, em todas as disciplinas. A partir das falas e conceitos, Nara começou a explicar o funcionamento da atividade prática: cada aluno cursista deveria ter avental, tinta guache e pincel; depois da mistura de tintas pintaríamos, primeiramente, nosso papel e depois o do colega ao lado. E assim, sucessivamente até que todos passassem pelo trabalho dos outros até pintar completamente o papel e dar por encerrada “a obra” por nós criada, coletivamente.
Finalizado o trabalho, tivemos a oportunidade de explorar o conhecimento de Nara fazendo perguntas e esclarecendo dúvidas sobre este assunto tão fascinante: a pintura. No encerramento, a professora sugeriu alguns títulos: Criança e pintura: ação e paixão do conhecer, Sandra Richter - Exercícios do olhar: conhecimento e visualidade, Carmem S. G. Aranha – A criança e seu desenho: o nascimento da arte e da escrita, Philippe Greig – Olhos que pintam: a leitura da imagem e o ensino da arte (Anamelia Bueno).
A tutora Luciane comentou sobre os últimos encontros do Gestar II: Dia 26/11 – Troca de experiências entre os alunos cursistas Dia 03/12 – Encerramento da turma Dia 05/12 - Formatura do Gestar II (Português e Matemática)
APROVEITAMOS O MOMENTO DE INSPIRAÇÃO PARA FOTO
OBS.: Ficou como tarefa de casa, a leitura do texto Nem todo uso de língua tem que se pautar pela norma culta, Irandé Antunes.
A turma se envolveu em um trabalho manual, cuja técnica é chamada de Panô. A partir da proposta da tutora Luciane, cada integrante deveria recortar, em tecido, alguma figura (borboleta, casa, brinquedo, árvore, sol...) e depois colá-la em um painel. O resultado final foi ótimo!!! Além de terapêutico, pensamos nas possibilidades de se trabalhar com os alunos, a partir da técnica, poemas, produções textuais, limeriques...
A seguir assistimos ao vídeo “Encontro e desencontro” (O povo brasileiro, Darcy Ribeiro), em que o tema abordado foi a cultura brasileira e sua formação. Percebemos a “pluralidade” que compõe nosso país. De acordo com o vídeo, a cultura brasileira é a fusão genética, espiritual, cultural e linguística dos povos indígenas, portugueses e africanos.
Retomamos as questões de interpretação da Unidade 1 (TP1) iniciadas na aula passada e concluímos a correção das 13 perguntas, as quais suscitaram comentários e questionamentos, uma vez que o assunto gramática x linguística (dialetos, idioletos, registros) sempre gera debate entre os professores de língua portuguesa.
Novamente a aula foi enriquecida com o recurso do vídeo: assistimos ao filme “Desmundo”, de Ana Miranda. A história se passa em 1950 e aborda a chegada ao Brasil de um grupo de meninas órfãs, enviadas pela Rainha de Portugal para desposar os primeiros colonizadores. Procuramos identificar a influência de diferentes culturas, principalmente na linguagem, e identificamos palavras de origem portuguesa, espanhola e africana. Novamente a questão da variedade linguística ficou evidente: ela está presente desde a formação de nosso país e continua tão dinâmica quanto a nossa cultura (sofrendo influências, transformações...).
Encerramos a aula com os slides sobre: Por que tratar da variação lingüística?
P.S.: Levamos, como tarefa de casa, a proposta de leitura dos textos “A vaguidão especifica” e “Existe linguagem errada?” (AAA1 – p. 59 e 61). A partir da leitura, a tutora pediu que trabalhássemos os textos e as questões com nossos alunos.
A tutora Luciane iniciou as atividades lendo a crônica “Vai para a feira do livro”, de Moacyr Scliar. Além de ser um texto propício para o momento, pois a feira do livro é “o assunto” dos professores de português, o texto é muito interessante e oferece a possibilidade de trabalhar pontuação com os alunos. Num segundo momento, comentamos sobre os textos lidos durante a semana (tarefa a ser apresentada nesta aula): Concluímos que definir “ponto de vista” e “foco narrativo” não é uma tarefa fácil, uma vez que é muito tênue a linha que divide um conceito de outro: no foco narrativo temos a voz e o ponto de vista do narrador, enquanto que o ponto de vista pode ser apresentado a partir do narrador ou não. Assistimos ao vídeo “Vida Maria” e apontamos possibilidades de explorar o filme em sala. Ele apresenta situações que fazem parte da realidade que cerca nossos alunos: A exclusão social, a pobreza, o analfabetismo e a ignorância das personagens. Tendo como base o material de apoio, a tutora conduziu as atividades de leitura dos textos “A gíria” (pg. 43 – AAA1), “Retrato de velho” (pg. 14 – TP1), e “noção de NORMA” (pg. 23 – TP1). Tendo o embasamento teórico, lemos e comentamos a crônica “Grande África”, de Martha Medeiros e assistimos ao vídeo “Língua: Vidas em português”. Comentamos sobre a dinâmica da língua e as influências que ela sofre e de acordo com o vídeo percebemos que “não há uma língua portuguesa, mas sim línguas em português”. A tutora recomendou-nos a leitura do livro Nada na língua é por acaso, de Marcos Bagno. Segundo o linguista, “a língua é um enorme iceberg flutuando no mar do tempo, e a gramática normativa é a tentativa de descrever apenas uma parcela mais visível dele, a chamada norma culta. Essa descrição (...) tem seu valor e seus mérito, mas é parcial e não pode ser autoritariamente aplicada a todo o resto da língua...(BAGNO, Marcos. Preconceito lingüístico, o que é e como se faz. Loyola, 2ª. ed., São Paulo, 1999 – p. 09) A seguir, retomamos os conceitos das variantes linguísticas:
Dialetos: Variantes comuns a um grupo Registros: Variantes do uso de cada sujeito numa dada situação de interação Idioleto: Forma particular de se expressar
Para finalizar, retomamos a Unidade 1 do TP 1 e respondemos às questões de interpretação.
Levando em consideração a tarefa proposta na aula anterior e as discussões feitas sobre os conceitos de “ponto de vista” e “foco narrativo”, assistimos ao filme “Ponto de Vista” e a seguir comentamos sobre as várias possibilidades de interpretação. Lemos o texto “Ponto de vista” (p. 145 – TP1), e vimos que “o diálogo que o sujeito e a sociedade fazem com os textos de outra época e outro lugar apresenta a maneira peculiar de olhar que têm tal sujeito e tal sociedade. Esse olhar peculiar define o ponto de vista.” Levando em consideração os conceitos vistos (foco narrativo e ponto de vista), fizemos a análise do Cartum da p. 147 e a seguir lemos o poema “Uma semana e vários pontos de vista” (p. 118 – AAA1)
Para argumentação da tese: Argumentos baseados em exemplos Argumentos baseados no senso comum Argumentos baseados em provas concretas Argumentos por raciocínio lógico Argumentos por ilustração
Confraternização pelo Dia do professor; Leitura do texto “Dia do professor”, Moacyr Scliar (ZH, 13/10/09); Slides sobre “Educar o olhar”, de Rubem Alves; Construção da Argumentação (TP6).
Inicialmente a tutora comentou os dias em que ocorrerão as aulas aos sábados e também sobre a possibilidade de mudança do local das aulas atuais, deixando de ser na Escola Weibert. Em seguida, foi lido o poema “Feijoada” de Vinícius de Moraes (p. 33 AA5). Para ilustrar, a professora Luciane distribuiu grãos de feijão aos alunos cursistas e a medida que as estrofes eram lidas, o leitor devolvia os grãos. Fizemos a leitura do texto “Indígenas: testemunhos da mãe terra” (p. 126 – 130, TP6) e a seguir debatemos sobre a forma como corrigimos os textos dos alunos. Concluímos que a prática é feita por quase todos os professores de português, ou seja, nossos comentários são amplos e, normalmente, não são entendidos pelos alunos). A tutora comentou sobre a possibilidade de termos, como ferramenta de apoio, uma tabela com códigos de revisão de textos.
Recados: O encontro de hoje encerra a 1ª. etapa; O próximo encontro será na escola Irmão Weibert.
Retomamos os conceitos de coesão e coerência textual (p. 116 – TP5)
Para entendermos de que forma esses conceitos se aplicam ao texto, lemos e analisamos os textos “Circuito Fechado”, de Ricardo Ramos e “Vidinha Redonda”, de Kátia da Costa Aguiar. Concluímos que, embora os textos não apresentem os elos coesivos (preposições, conjunções, advérbios...O que são responsáveis pela microestrutura, temos um texto com coerência, pois na macroestrutura é possível compreender a mensagem.
Coesão é o conjunto de recursos semânticos por meio dos quais uma sentença se liga com a que veio antes. Laço ou elo coesivo é cada ocorrência de um recurso coesivo no texto.
Vídeo: Ri melhor quem ri em grupo (Análise do vídeo sobre Língua Portuguesa); Leitura do texto “Segredos da seda “ (p. 143) e música “Passe em casa”; Tarefa para próxima aula: escolher uma atividade da Unidade 19 (AAA5) sobre coesão, para trabalhar com os alunos.
1º.) Leitutra do texto “Escrever” de Rita Nasser; 2º.) Discussão sobre coerência e coesão textual (Material de apoio – TP5); 3º.) Segue um exemplo de texto que apresenta coesão (microestrutura), mas total ausência de coerência (macroestrutura):
“Subi a porta e fechei a escada, Tirei minhas orações e recitei Meus sapatos Desliguei a cama e deitei-me na luz Tudo porque ele me deu u beijo de Boa noite.” Autor anônimo
Estudo de estilo e variedade linguística
A diferença entre estilo e variedade linguística está na intenção do indivíduo, no momento da fala: A estilística leva em consideração o que o falante deseja manifestar ou transmitir naquele momento (emoção, tristeza, alegria...); A variedade linguística é a forma particular de uso da língua (característica permanente).
Estudamos ainda os conceitos de dialeto, idioleto, ritmo e sílaba:
Dialeto: É a forma como um grupo faz uso da língua (apresenta uma regularidade); Idioleto: É o conjunto de marcas pessoais da língua de cada indivíduo; Ritmo: Movimento ou ruído que se repete em intervalos regulares; Sílaba: Grupo de sons promovidos numa só expiração.
Para finalizar a aula, realizamos a técnica do GV x GO, levando em consideração as discussões feitas da seção 1 (TP5).
Se fosse possível colocar uma trilha sonora para esta resenha do filme Narradores de Javé certamente ela não poderia ter a cadência dramática e sóbria que em geral é usada em filmes sobre o sertão nordestino. A sutileza, as ironias e os momentos tragicômicos de Narradores de Javé só podem mesmo ser embalados pelo som eletrônico-regional-pulsante de DJ Dolores, responsável pela trilha sonora do filme. É nesse clima que se dá abertura para o espectador vislumbrar a importância dos sujeitos na História e as soluções e saídas para o sofrimento do sertão.
O longa, dirigido por Eliane Caffé, reúne tantos elementos interessantes para discussão, que é difícil eleger os que devem ocupar o espaço de uma resenha. Além disso, os oito prêmios recebidos pelo filme apontam a qualidade com que foram abordados esses elementos. Muitos temas relacionados com a História estão presentes: a história oral, a oficial, sua cientificidade, o limiar com a literatura, o vídeo e o próprio cinema, diferentes suportes para a História, diferentes olhares e intercâmbios, a busca de uma "verdade", teoria e método. Esse segundo filme da cineasta (o primeiro foi Kenoma-1998), trata de um povoado fictício (Javé), que está prestes a ser inundado para a construção de uma hidrelétrica. Para mudar esse rumo, os moradores de Javé resolvem escrever sua história e tentar transformar o local em patrimônio histórico a ser preservado. O único adulto alfabetizado de Javé, Antônio Biá (José Dumont) é o incumbido de recuperar a história e transpor para o papel de forma "científica" as memórias dos moradores.
Ironicamente, Biá, que havia sido expulso da cidade por inventar fofocas escritas sobre os moradores, é o escolhido para escrever o "livro da salvação", como eles mesmos chamam. O artifício de "florear" e inventar fatos locais já era usado pela personagem para aumentar a circulação de cartas, obviamente escassas no povoado, e manter em funcionamento a agência de correio onde ele trabalha. Escrever a história de Javé e salvá-la do afogamento é sua oportunidade de se redimir. E a redenção parece ter que se dar justamente aflorando seu lado mais condenável. "Bendita Geni", pois é justamente a capacidade de Biá de aumentar as histórias que traz à tona o papel do historiador interferindo na História, reunindo relatos, selecionando-os, conectando-os de forma compreensível.
Na coleta do primeiro relato "javélico", Biá diz à sua "fonte": "uma coisa é o fato acontecido, outra é o fato escrito". Esse pequeno conjunto de elementos já é suficiente para apontar a isenção e a imparcialidade impossíveis à História e ao historiador. O filme se desenrola com a difícil tarefa para Biá: reunir uma história a partir de cinco versões diferentes - uma multiplicidade de fragmentos, memórias incompatíveis entre si. O personagem se vê entre essa impossibilidade e um futuro/progresso destruidor e irremediável.
Nas várias versões os heróis são alterados conforme o narrador. Assim, na versão relatada por uma mulher do povoado, a grande heroína entre os fundadores de Javé é Maria Dina. Na versão de um morador negro, o herói principal também é negro e chama-se Indalêo. Assim, ao mesmo tempo que o filme nos diz da interferência do narrador na história, também fala sobre os excluídos da "história oficial" (a dos livros didáticos).
Na narração sobre Indalêo surge a oralidade da memória - como praticada por culturas milenares. O narrador negro canta a história em seu dialeto africano, quase num êxtase profético, que nos remete tanto aos gregos como aos xamãs. As divisas cantadas, que são as fronteiras de Javé pronunciadas em canto, também são um outro exemplo da aparição desse elemento no filme. O canto demarca uma terra (Javé), que está sendo disputada, e é o canto que legitima sua posse, não um documento escrito. Da mesma forma, são as versões orais que podem tornar esse espaço de terra patrimônio histórico. De forma sintética, todo o filme fala de uma disputa entre a história oficial e aqueles excluídos dessa história, assim como, entre a oralidade e a escrita.
Em outro momento, uma das moradoras de Javé argumenta perante uma câmera digital que a hidrelétrica não poderia ser construída lá onde estavam enterrados seus antepassados e seus filhos que morreram. Eles não poderiam ficar embaixo d'água. De forma sutil, a cena introduz no filme essa questão fundamental do patrimônio imaterial, a cultura, e os laços diversos que podem existir com um pedaço de terra. A cena remete ao filme de Werner Herzog, "Onde sonham as formigas verdes" (1983), no qual também trava-se uma disputa em torno de uma área de terra. No caso, uma tribo aborígene defende a sacralidade da terra onde estão seus antepassados e onde sonham as formigas verdes, diante da construção de uma companhia de mineração; uma representação dos avanços da sociedade branca, industrial. A problemática da destruição de um grupo étnico, sua memória, cultura, religião, modo de vida, é uma história bem comum nesses nossos 500 anos, e o filme de Eliane Caffé também se destaca por essa inclusão.
Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso". (Benjamin 1985:226).
Entre a multiplicidade de versões que ecoam em seus ouvidos, a arbitrariedade da interferência e a necessidade de produzir algo convincente para salvar Javé, Antônio Biá entrega um livro em branco para a população. Cobrado e acuado por todos no meio da rua, Biá sai aos berros andando de costas. O gesto remete a uma outra passagem do filme em que se diz que essa atitude demonstraria coragem, seria um recuo e não uma fuga. Mas a mesma imagem pode ir além disso, quando se pensa no "anjo da história" de Walter Benjamim (veja quadro ao lado).
Biá, assim como o anjo, caminha olhando o passado a ser "destruído" irremediavelmente pelo futuro, pelo progresso, pela hidrelétrica. E esta, "responsável" pela transformação do sertão em mar, afogará a memória, a cultura local e os antepassados.
Narradores no plural Vale destacar as dimensões e os infinitos níveis das interferências que os narradores podem ter na História. Todo o caso de Javé - a história que não é escrita por Biá - é narrado por Zaqueu (Nelson Xavier), que tenta distrair um viajante num bar a beira de um rio. Durante todo o tempo em que o caso ocorreu, Zaqueu não estava presente no povoado, pois sai para buscar mantimentos. Isso nos faz supor que sua versão já é fruto de uma série de outras versões, e abriga toda a interferência dessas múltiplas narrações, inclusive a dele mesmo. Ao mesmo tempo, a história que Biá não consegue escrever está contada, mas em outro suporte, na narração de Zaqueu, que é o próprio filme.
A própria filmagem de Narradores de Javé sinaliza o grau de intercâmbios entre presente, passado e futuro na construção da História. Os dois mil moradores de Gameleira da Lapa (locação do filme) estavam sem coleta de lixo há onze anos e foram incentivados a não apenas recolher o lixo como a separá-lo para reciclagem. Com tudo isso, a população local passou a exigir dos órgãos competentes a coleta seletiva, o que deu início a um processo para trocar o nome da cidade de Gameleira da Lapa para Javé. Certamente o filme deu mais conta da História e seus Sujeitos do que esperava.
Primeiramente, a tutora solicitou às professoras cursistas que fizessem uma avaliação oral sobre o curso “Gestar II”. De acordo com as opiniões, as professoras demonstraram satisfação em estar participando do curso. O material e a troca de experiências está contribuindo, em muito, para o crescimento profissional e pessoal.
Num segundo momento, assistimos ao vídeo “O que é letramento?” e comentamos sobre a proposta do texto de Magda Soares, sobre o mesmo assunto.
Os principais apontamentos foram:
“É preciso ir além da aquisição do código escrito (é preciso apropriar-se da leitura e da escrita).
O conceito de alfabetização tornou-se insatisfatório. Por quê? Nas sociedades letradas ser alfabetizado é insuficiente para vivenciar plenamente a cultura escrita e responder às demandas de hoje. Não basta saber ler e escrever; a criança deve ser levada ao domínio das práticas sociais de leitura e de escrita, ou seja, exercer essas práticas sociais que circulam a sociedade em que ela vive. Assim, alfabetização e letramento se somam”.
Após as discussões sobre esse assunto tão “instigante”, assistimos ao filme “Narradores de Javé”
“Narradores de Javé” explora a temática sobre a importância da escrita. O filme denuncia através de seu roteiro a falta de cultura, a pobreza e, consequentemente, a exclusão social e cultural de um vilarejo, no nordeste do Brasil.
- A tutora comentou sobre a organização dos portifólios e criação dos Blogs: Elogiou alguns trabalhos e sugeriu que a procurássemos durante os plantões para dar encaminhamento ao “projeto” que deverá ser desenvolvido e aplicado por cada professor cursista em sua escola; - Sugeriu algumas leituras: * As histórias mais loucas do mundo, Raquel Grabauska * Como escrever histórias, Anne Faundez - Marcou o próximo encontro para 27/08.
Atividades desenvolvidas...
A professora formadora organizou a turma em grupos para que conceituássemos as sequências narrativa, descritiva, injuntiva, preditiva e dissertativa.
A seguir, apresentamos os trabalhos: - Expomos os cartazes; - Comentamos as características das sequências; - Trocamos ideias sobre as peculiaridades de cada uma.
Trabalhamos com a sequência narrativa. Segue a foto dos apontamentos feitos pelo meu grupo.
A seguir, a tutora entregou-nos dois textos: Lemos um trecho do livro “De carona com Nitro” (p. 62), de Luis Dill e a seguir foram feitos alguns comentários: assunto explorado, vocabulário usado...
O segundo texto tratava-se de uma crônica (Pergunta infalível, de Nilson Souza). Após a leitura, procuramos identificar as seqüências narrativa, descritiva, injuntiva, preditiva e dissertativa, no texto. No final da atividade concluímos que nenhum texto é essencialmente narrativo, descritivo... Ou seja, um texto apresenta mais de uma sequência em sua estrutura. Exemplo: Ao longo de um texto narrativo, podemos encontrar sequências descritiva, preditiva... A tutora chamou-nos atenção para este fato: comentou a importância de explicarmos aos alunos que os textos podem apresentar em sua estrutura, mais de uma sequência.
Para você o que é poesia? .............................................
A seguir lançar a rede de idéias:
POESIA
Pode ser surrealista (não acontece na vida real);
Arte de se expressar;
Pode ter muitos sentidos, diversas significações;
Faz o leitor imaginar, pensar e ter dúvidas;
Pode ser também organizada em estrofes (conjuntos diversos);
“eu poético” fala dos sentimentos do autor, suas idéias, seus pensamentos, suas inspirações;
O termo poesia provém do grego póiesis, que significa criar, imaginar. Trata-se de uma forma de expressão literária que surgiu simultaneamente com a MÚSICA, a DANÇA e o TEATRO.
Na Antiguidade, os poetas não eram conhecidos como escritores de poemas, mas como cantores. Como poucas pessoas sabiam ler e escrever, as poesias eram declamadas ao som de músicas. Isso tornava possível transmitir a história dos povos através das gerações.
Dar uma definição satisfatória à poesia não parece ser uma tarefa muito fácil. Desde a antiguidade até os dias atuais, vários estudiosos e mesmo os poetas têm-se empenhado nessa tarefa. Dessa tentativa, surgiram as mais variadas opiniões. Algumas delas você verá a seguir:
“ palavras olhando apenas para si mesmas” (Cecília Meireles)
“uma viagem ao desconhecido” (Maiakovsky)
“a liberdade da minha linguagem” (Paulo Leminski)
“a expressão da imaginação” (Shelley)
“vivência e paixão” (Vigny)
“asmelhores palavras na melhor ordem” (Coleridge)
Segundo o dicionário, Poesia é...................................................
Agora, crie você sua própria definição de POESIA: ...............................................................
A poesia ...O poema...A prosa...
Pode-se escrever em prosa ou em verso.
Quando se escreve em prosa, a gente enche a linha do caderno até o fim, antes de passar para a outra linha. E assim por diante até o fim da página.
Em poesia não: a gente muda de linha antes do fim, deixando um espaço em branco antes de ir para a linha seguinte. Essas linhas incompletas se chamam versos.
A prosa é como o trem, vai sempre em frente.
A poesia é como o pêndulo dos relógios de parede de antigamente, que ficava balançando de um lado para outro.
Embora balançasse sempre no mesmo lugar, o pêndulo não marcava sempre a mesma hora. Avançava de minuto a minuto, registrando a passagem das horas: 1, 2, 3 até 12.
Também a poesia vai marcando, na passagem da vida, cada minuto importante dela. Acho que o espaço em branco é para o leitor poder ficar pensando. Pensando bem no que o poeta acabou de dizer.
Algumas vezes, lendo um verso, a gente tem de voltar aos versosde trás para entender melhor o que ele quer dizer. Principalmente quando há uma rima, isto é, uma palavra com o mesmo som de outra lida há pouco. Então a gente vai procurá-la para ver se é isso mesmo.
De tanto ir e vir de um verso a outro, de uma rima a outra, a gente acaba decorando um poema e guardando-o na memória. E quando vê acontecer alguma coisa parecida com um poema que já leu, a gente logo se recorda dele.
Geralmente, a prosa entra por um ouvido e sai pelo outro.
A poesia, não: entra pelo ouvido e fica no coração.
PAES, José Paulo. Vejam como eu sei escrever, São Paulo, Ática, 2002.
REVENDO CONCEITOS
PROSA:Segue o exemplo do trem (até o fim da linha), formato de texto (parágrafos, margem...)
POEMA:É escrito em versos (cada frase numa linha); O espaço em branco serve para o leitor ficar pensando, imaginando...; pode ter rimas; é necessário ler mais de uma vez para entender.
POESIA:Pode ter na prosa e nos poemas. Precisa sensibilizar, causar emoção (sentimento no leitor)...Precisa chegar ao coração.
Poemas... quanto mais lemos, mais queremos...
Assim como o pintor usa as mais diversas cores para pintar os seus quadros, o poeta utiliza as palavras como matéria-prima para compor os seus poemas. Por meio da combinação harmoniosa das palavras, o poeta desperta no leitor diferentes sensações e emoções e o leva a refletir sobre os sentimentos e os acontecimentos da vida.
Ao organizar as palavras com a intenção de criar um poemao poeta utiliza alguns recursos próprios desse tipo de texto com o ritmo e a sonoridade. Assim, consegue criar efeitos sonoros e de sentido.
A seguir, você lerá um poema. Procure prestar atenção nos recursos por meio dos quais foi construído, na maneira como está organizado e no tema por ele tratado.
POETA À VISTA
Não sei como pôr para fora
Essas idéias malucas
Que me sacodem a cabeça.
É coisa muito esquisita,
Parece assombração:
Palavras que nascem feitas
Sem nenhuma explicação.
Contar aos pais
Não adianta...vão dizer:
“é tudo imaginação!”
Falar com a turma...não sei.
Pode virar gozação.
O jeito é tentar guardar
Esse caso pra mim mesmo
E colocar no papel
Os recados da emoção.
Uma palavra aqui,
Outra palavra ali...
Parece que achei o caminho!
Epa! Mas isso tem cara de verso!
Será que sou poeta?
E agora? Que vergonha!
Só me falta mais essa...
Outro segredo danado
Pra trancar bem trancado
No fundo do coração.
Carlos Queiroz Telles. Sonhos, grilos e paixões.
São Paulo, Moderna, 1997. p. 30.
ETAPAS DE LEITURA DE UM GÊNERO POÉTICO
ETAPA 1 – A ESTRUTURA TEXTUAL
01) Quanto à estrutura textual, o texto se apresenta em prosa ou em verso?
Justifique.
02) Há versos? Quantos?
03) Há estrofes? Quantas?
04) Há rima?Em caso afirmativo, cite 02 pares de palavras que rimam.
05) Segundo José Paulo Paes, para que servem os espaços em branco deixados entre uma estrofe e outra?
06) A partir das respostas acima podemos afirmar que:
O texto é um poema, pois ........................................
O texto tem poesia, pois ...........................................
ETAPA 2 – INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
01) Leitura silenciosa do texto.
02) Há alguma palavra cujo significado você não saiba?
03) Explique otítulo “Poeta à vista”.
04) Na sua opinião qual a idade do menino? Como você chegou a essa conclusão?
05) Sobre o que o “eu poético” fala?
06) Por que motivos o menino não quer revelar suas ideias aos pais e colegas?
07) Em que momento ele passa a desconfiar que é poeta?
08) O menino sente-se envergonhado ao perceber que está escrevendo em verso. Na sua opinião, por que ele se sente assim?
09) O que o poeta quis dizer com “outro segredo danado, para trancar bem trancando, no fundo do coração”?
PROPOSTA DE PRODUÇÃO DE POEMAS
A partir dos conceitos sobre poema e poesia e levando em consideração as discussões sobre o texto “Poeta à vista”, produza um poema a partir da seguinte proposta:
Você gosta de música, gosta de escrever textos e é “muito bom” em português. Produzir um poema, no entanto, parece difícil, pois você não tem inspiração, não consegue se concentrar para “encontrar as palavras certas”, os versos não rimam... Mas, assim como o “eu poético” do poema lido, certo dia você se descobre “poeta”... Então, coloque em prática seus conhecimentos e fale sobre você, seus sentimentos, seus desejos...